
Acender a luz, ligar o ventilador ou carregar o celular são ações tão automáticas que a gente não se dá conta do caminho que a energia elétrica percorre até chegar às residências, comércios e indústrias. Por trás desse processo, existe uma rede complexa que funciona de forma integrada para garantir fornecimento contínuo e seguro.
A costureira Maria Lucileide Rodrigues, moradora da Vila Palmares 2, município de Parauapebas, afirma que a energia elétrica é essencial para o seu trabalho. “Eu imagino que haja muita mão de obra e muita fiação nesse caminho. Como sou costureira doméstica, dependo 100% da energia elétrica, no meu dia a dia”, afirma.
O caminho na prática
Tudo começa nas usinas de geração, onde a energia é produzida a partir de diferentes fontes. As hidrelétricas utilizam a força da água; as térmicas geram energia a partir de combustíveis; as eólicas aproveitam a força dos ventos; e as solares transformam a luz do sol em eletricidade. Cada uma dessas fontes contribui para abastecer o sistema elétrico.
Depois de gerada, a energia é transportada por linhas de transmissão em alta tensão, que permitem percorrer longas distâncias com menor perda.
Ao se aproximar das cidades, entram em cena as subestações, estruturas responsáveis por “ajustar” a energia para níveis adequados ao consumo. É nelas que a tensão elétrica é reduzida, tornando possível sua distribuição de forma segura.
Na etapa seguinte, a energia chega à fase de distribuição, que é o trabalho realizado pela Equatorial Pará. Por meio das redes de postes e cabos que vemos nas ruas, a companhia leva a eletricidade até bairros, comunidades e áreas rurais, conectando diretamente casas, comércios e serviços essenciais.
Todo esse sistema é monitorado em tempo real pelo centro de operação, que funciona como o “cérebro” da rede elétrica. Nesses locais, equipes especializadas acompanham o funcionamento do sistema, identificam possíveis falhas e acionam rapidamente equipes de campo, quando necessário.
De acordo com o gerente de Obras da Equatorial Pará, Juarez Rocha, cada etapa tem um papel fundamental para garantir qualidade no fornecimento. “A energia percorre um longo caminho até chegar ao consumidor, e cada componente da rede tem sua importância. Das subestações às linhas de distribuição, tudo é planejado e monitorado para que o fornecimento seja contínuo, seguro e eficiente”, destaca.
Mesmo invisível na maior parte do tempo, essa estrutura opera 24 horas por dia para garantir que a energia esteja sempre disponível à população. Para a costureira Maria Lucileide Rodrigues, por exemplo, ainda que o funcionamento do setor elétrico passe despercebido em meio aos cortes de tecido e às linhas, a energia é uma das principais matérias-primas do seu trabalho. É ela que mantém sua máquina de costura em pleno funcionamento, contribuindo diretamente para a geração de renda e o sustento de sua família.
A iniciativa foi da Justiça Federal - Subseção de Paragominas, em parceria com Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), TRF-1, TRT-8, com mais de 130 serviços, em parceria com o município e diversos órgãos do governo do Pará, incluindo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará), que presta atendimento às comunidades tradicionais quilombolas da região.
A Cooperativa Quilombola Nordeste do Estado, a Associação Quilombola Canta Galo e a Associação Quilombola Santa Maria do Curuçá e Associação Quilombola São Miguel Arcanjo, receberam o CAF Jurídico, que identifica associações, cooperativas e empreendimentos familiares rurais, para que tenham acesso às políticas públicas federais e direitos sociais, fortalecendo comunidades e famílias que vivem no campo.
Para a presidente da Associação São Miguel Arcanjo, Francisca Gama, o momento é de celebração de uma luta histórica da comunidade e principalmente das mulheres. Somente na associação que ela representa, localizada no município de Irituia, são mais de 500 famílias quilombolas beneficiadas, que têm como principais atividades a produção de mandioca para cultivo de farinha, milho, feijão, macaxeira e banana.
“Para nós, receber o CAF Jurídico representa a oportunidade de nós agricultores quilombolas e principalmente as mulheres, terem acesso a políticas públicas de governo. Era um sonho antigo que a gente tinha e hoje ele foi realizado. Há vinte anos esperávamos por isso, porque só nós sabemos da nossa necessidade e somos muito gratos à Emater, que abraçou a nossa luta e vai fortalecer as nossas mulheres nos seus lotes, quintais produtivos, a aumentar a produção de alimentos, além de garantir a nossa renda e segurança alimentar, e ao mesmo tempo, protegendo o meio ambiente”, disse.
Ainda foram emitidos 20 CAFs quilombolas individuais, três inscrições com Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de três atualizações do mesmo documento. De acordo com a supervisora regional de São Miguel do Guamá, Wagma Lima, um dos papéis da Emater, em iniciativas como essa, é contribuir com a melhoria da qualidade de vida dos povos tradicionais do nosso estado.
"A Emater reforça o compromisso que a empresa tem com as organizações sociais desses povos tradicionais, que vêm sendo atendido pelos escritórios de Irituia e São Miguel, que já vêm fazendo um trabalho nessas comunidades tradicionais desde a emissão da CAF e agora com a entrega desses CAFs jurídicos para essa população. Através desse CAF jurídico elas vão ter acesso às políticas públicas e qualidade de vida, porque o CAF vai servir como porta de entrada para os direitos sociais e vai ampliar a possibilidade de geração de renda, fazendo com que essas organizações sociais agora possam comercializar com compras bem maiores”, explicou.
Ainda conforme a supervisora, o benefício agrega na inclusão dessas centenas de famílias a políticas de fortalecimento da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), levando alimentos produzidos pelas mãos de centenas de famílias quilombolas assistidos pela Emater, com garantia de que são produzidos com qualidade e sustentabilidade.
Ações participativas como essa reforçam a Política de Direitos Difusos e Coletivos da Emater-Pará, instituída em 2022/2023, que garante Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) especializada a grupos vulneráveis, incluindo indígenas, quilombolas, mulheres rurais e povos de terreiro. A ação foca em equidade de gênero, raça e etnia, promoção da agroecologia e segurança alimentar.
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